quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A freira dada

Antes que alguém acuse, esta história se assume um completo clichê.
Religiosas pervertidas habitam o imaginário popular há muito tempo e estão aí as piadas chulas que não nos deixam mentir.
O que nem por isso joga a história da irmã Marta na vala - ou cama - comum.
Ao contrário, a irmã Marta merece o respeito que o hábito que veste sugere, e ainda mais pelos motivos que a fazem se livrar dele entre quatro paredes.
Irmã Marta nunca se sentiu verdadeiramente altruísta somente levando a palavra de Deus aos necessitados.
Acreditava que sua verdadeira missão era exorcizar o pecado dos cordeiros desgarrados e que para isso deveria abrir mão de seu voto de castidade por uma causa, a seu ver, nobre.
Decidiu que levaria almas perdidas à cama até o completo esgotamento de suas forças e desejo, para daí então convertê-los à santa causa.
O que para qualquer um pareceria um método absurdamente contraditório, para irmã Marta era o único meio de salvar homens pervertidos.
Foi assim que ela acumulou uma extensa lista de "clientes", que em sua cabeceira deixavam o "dízimo".
Era assim que ela chamava o pagamento que depois era doado secretamente ao convento, em nome de uma tal Madame Gertrudes de Albuquerque, fictícia condessa da região e filantrópica de marca maior.
A popularidade de irmã Marta nas funções do meretrício era tão grande, que logo o fisco desconfiou das vultosas doações da Madame Albuquerque.
Não deu outra: irmã Marta foi descoberta e excomungada.
Apesar de humilhada publicamente, irmã Marta resolveu continuar suas atividades no bordel, reafirmando sua crença de estar ajudando os servos do Senhor.
Para deixar claro sua intenção, ela deixou de cobrar o "dízimo", arrecadando apenas o necessário para sobreviver.
Vez por outra, recebia clientes que solicitavam a ela vestir o hábito para realizar suas fantasias.
Inclusive, pasmen, alguns respeitáveis senhores frequentadores da missa dominical.
Mas sobre isso irmã Marta não fala nem de pé junto.
Afinal a cama onde recebia seus clientes, sob seu ponto de vista, era seu próprio confessionário.

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