O amor de Pedro e Aline poderia ser descrito como um caso fugaz.
Isso se ele ainda não durasse até os dias de hoje.
A maneira como ele começou e continua é que pode ser chamada de fugaz.
Foi mais ou menos assim.
Aline trabalhava como atendente de cabine de um drive thru de lanchonete.
Naquela cabine que entrega os lanches e põe o vendedor em contato direto com o cliente ao volante.
Pedro passava para pegar um lanche e ir para casa, num daqueles finais de noite onde, lembrando-se de sua geladeira vazia, tratou de garantir o estômago forrado antes das curtas horas de sono que tinha pela frente.
Não era habitual frequentar aquele drive thru, pois este ficava perto da sede de um dos seus clientes e não da sua empresa ou de sua casa.
Mas bastou receber seu lanche das mãos daquela loira gracinha para fazer das suas visitas ao cliente uma rotina quase diária.
A ponto de seu cliente nunca ter se sentido tão bem atendido.
Lanche vai, lanche vem e não tardou para o casal ficar caidinho um pelo outro.
Mas o máximo que conseguiam naquele curto contato era roubar um selinho molhado, sob os protestos buzinados dos estressados motoristas de trás na fila.
O que acabou forçando um encontro entre os dois, marcados num dia de folga de Aline.
Pedro a pegou pontualmente em casa e o casal cumpriu com o itinerário programado de cinema, restaurante, casa de Aline e malho no sofá.
Mas no final algo não saiu como o esperado.
Toda a rica programação da noite não chegava perto em excitação aos poucos minutos que cliente e atendente flertavam separados pela janela da cabine e do carro de Pedro.
Mais algumas tentativas de sair juntos só terminaram por naufragar de vez o romance incipiente.
De modo que Pedro e Aline pararam de se ver.
Mesmo quando Pedro embicava o carro nom drive thru, Aline o evitava, mandando o Soneca atender na cabine.
De tal forma que Pedro também desistiu de procurá-la.
Até que um dia, dois anos depois, Pedro, em viagem de visita a um cliente do interior, acabou por reencontrar Aline.
Desta vez numa cabine de pedágio.
A paixão voltou a se acender.
Mas desta vez eles não quiseram se arriscar.
O relacionamento guardaria aquela distância segura entre uma janela de cabine e a janela do motorista.
E assim tem sido até hoje, entre uma buzinada do carro de trás no pedágio e a imcompreensão do cliente do interior, visitado semanalmente por um Pedro apaixonado.
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