quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O apanhador de suor

Mau, como era chamado pelos amigos, era um fã incondicional do rock.
Quer dizer, da música pop ao vivo em geral, pois não negava fogo em qualquer evento musical da cidade.
Podia ser arena, estádio, passarela do samba, estacionamento improvisado, onde quer que um palco pudesse ser montado, lá estava Mau na primeira fila, vibrando mais que qualquer membro de fã clube.
Engana-se quem pensa que Mau conhecia todas as bandas e músicas.
Nada.
O normal era vê-lo improvisar uma "lá-lá-lá-lá" como trilha sonora fora de compasso para sua coreografia carente de ritmo.
Mas pensa que Mau se importava?
Tsc,tsc, o homem estava quase sempre em seu mundinho muito particular para se importar com qualquer que fosse a opinião alheia.
E fazia bem, porque eram frequentes as galhofas de quem cercava Mau e quase sempre o tinha como um bêbado ou louco desvairado fugido do juqueri.
Mas isso não acontecia quando Mau era visto assistindo ao show da coxia do palco.
Aí até pensavam que Mau fazia parte do staff e portanto gozava de status junto ao público, especialmente as groupies que se juntavam na frente do palco.
Uma vez até acabou acordando num quarto do mesmo hotel da banda, tendo ao lado uma ruiva maravilhosa que o havia confundido com o baterista.
Ou coisa parecida porque o baterista tinha o biotipo oposto de Mau.
Falando nisso, com sua cabeça careca lustrosa e não mais que 1,50 m de altura, Mau poderia ser confundido com o mascote de qualquer banda de gosto bizarro.
A verdade era que Mau escondia uma identidade secreta no meio do show bizz.
O cabra era um empresário do ramo textil muito bem sucedido.
Alguns dos seus principais clientes eram empresas promotoras de shows, cujos pedidos excêntricos de toalhas para suas afetadas estrelas contratadas representavam um gordo adicional em seu faturamento.
Quinhentas toalhas brancas ali, mais oitocentas aqui, quase sempre devolvidas e colocadas de novo à venda, eram não só garantia de faturamento gordo como oportunidade de exposição de marca.
Assim seguia Mau, que de show em show e de toalha em toalha, tinha aprendido como ninguém a conciliar trabalho com diversão.
Curtindo a vida às custas do suor dos outros.

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