segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ode aos anônimos

Nos 8 meses finais da carreira de Juca Bala, Alvinho acompanhou cada passo de seu craque favorito do Tonense Futebol Clube.
Cada passe, cada lançamento, cada carrinho, cada bola perdida.
E se alguém imaginar que isso foi tarefa de qualquer torcedor fanático, está quadradamente enganado.
Era preciso ser torcedor doente em estado terminal para acompanhar Juca.
Porque ultimamente o veterano não passava de quarta, quinta opção do técnico para comandar o ataque do Tonense.
De modo que para assistir ao craque, Alvinho tinha que acordar cedo para pegar o treino do time.
Porque para os jogos oficiais, ele já não era relacionado havia meses.
Juca sempre foi jogador mediano, daqueles contratados para compor o elenco.
Foi assim nos dezesseis outros times que defendeu.
Mas para Alvinho isso não tinha a menor importância.
O garoto não se conformava com a aposentadoria do craque, que fora solenemente ignorada por diretoria, imprensa e torcedores.
Alvinho soubera pelo roupeiro que a saída de Juca Bala tinha até data marcada.
E tinha seu plano para não vê-la passar em branco.
Por email, Alvinho convocara centenas de jogadores que um dia tiveram a honra de dividir a mesma camisa, ainda que no banco de reservas, com Juca Bala.
De mais de 280 emails, disparados, somente 11 tinham confirmado presença para o jogo-despedida, que ocorreria num campo de várzea da cidade.
Não importa, Alvinho daria um jeito de compor o outro time.
Bastou convocar a galera das organizadas, que apesar dos apupos que costumavam dirigir a Juca Bala, sentiam-se até aliviados por esse adeus.
Na data marcada, estavam todos presentes.
O time de ex-colegas do craque e o dos torcedores.
Só faltava aparecer mesmo Juca Bala.
Que de última hora, para alegria de Alvinho, não compareceu.
Por problema de contusão e suspensão, Juca Bala fora convocado para um jogo decisivo do campeonato.
Para o banco, claro.
Mas qual não foi a alegria de Alvinho quando viu seu craque entrar em campo para defender o Tonense no derradeiro jogo de sua vida.
E ainda marcar o gol que livraria o time da Quarta Divisão.
Uma despedida digna do craque perna-de-pau que alimentava os sonhos do garoto Alvinho.

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